sábado, 9 de maio de 2009

Indecisão...



Pior do que a convicção do não, é a incerteza do talvez, e a desilusão de um quase! É o quase que me incomoda, que me entristece, e me enfurece, que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido, e não foi...

Quem quase amou, nunca amou de verdade. Quando lembro das oportunidades que escaparam por entre os dedos, nas chances que se perdem por medo...pelo vacilo...pelo inércia. Essas idéias que nunca passam do abstracionismo, que traem meus planos mais íntimos, projetos notívagos, que põem histérica a gatarrada, e meus demônios em fúria...Odeio esta maldita mania de viver sempre no outono!!!

O que leva uma pessoa a viver uma vida morna, sem gosto, indiferente, esse vegetar, esse volatismo ao sabor dos ventos e das tempestades? A resposta sei...está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, no desvio do olhar e na indiferença dos sentimentos...

Sobra covardia e falta coragem, até para ser feliz. A paixão queima meu corpo, o amor me enlouquece e me torna oligofrênica. O desejo...me faz transpirar, que vontade de trair, de trair até meus próprios pensamentos e enganar minhas verdades...mas não posso, evito os bretes da escuridão...

Quero sim a dor do pecado, e daí? Sou pecadora, sou errada, mas sou eu! Quero me lançar na lascívia e na alcova do amor, do sexo mais forte e mais delirante, quero minhas fantasias, todas, de uma só vez, quero ficar exausta amando, misturar meus dias e noites. Prefiro a dor da cicatriz, à servir a estes anjos caídos que me desafiam e me provocam. Que tentação...quero sucumbir...Mas não são eles que fazem a decisão de quem jamais decide...

Se a virtude habitasse o quase, porque a lua haveria de brilhar, iluminando a alma da noite, cheia de amores e pecados? E o vento? Ahh, nem sopraria meus devaneios. E as estações, nem mudariam, prá que? O nada não ilumina, não inspira, não muda e nem acalma, apenas amplia o vazio, que cada um carrega dentro de si. O nada não move, não mexe, não modifica e ainda enterra os meus sonhos...

E ter de repartí-los com meus pesadelos, imaginando o que poderia ter sido e não foi? Jamais! Prefiro morrer! Mil vezes, e renascer com outra alma, com outro nome, e recomeçar...tudo de novo, do zero, mesmo exausta... Não nasci para o quase! Por que disperdiçar a oportunidade de merecer, de me merecer, sem tentar...Desista, se quiser, mas antes olhe fundo em meus olhos, fite minhas lágrimas dançando perdidas em meu rosto, quero que sinta meu desespero, por jamais te compreender...

Para os erros, há o perdão, para os fracassos, a chance, e também a glória de ter, pelo menos, tentado... Para os amores impossíveis, há o tempo... Para o tempo, eu passo, eu passarei... meu amor é só meu, e teu... Ninguém toca, ninguém captura, ele está na porta de meu coração, e de lá, jamais sairá... enquanto eu viver... prometo....

De nada adianta cercar um coração vazio, economizar a alma ou se furtar de seus próprios desígnios. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor, não é romance, nunca existiu e nunca passou de uma mera ilusão...Não permitirei que a saudade sufoque, ou que a rotina acomode. Não posso paralisar. A vida arde em mim, a paixão... não quero... nasci para o amor...

As armadilhas me espreitam, mas tenho coragem e não aceito o destino, candidamente... Quero fazer meu amanhã, se cair, ainda poderei me arrastar, e, se não puder me arrastar, ainda terei meus pensamentos, que não se aprisionam e vagarão livres, até de minhas vontades... Quero me consumir tentando, até vazar meu último sopro de vida...Estou decidida, não vou esperar o amanhecer...pode ser tarde demais...Vou partir agora, neste momento... só vim me despedir...

Sei que tudo passa, menos a dor do arrependimento, de, sequer, ter tentado...Venha na primavera, antes do verão, mas me traga flores lindas... perfumadas... e me entregue com seu olhar e um beijo forte, na boca...

(adaptações em texto de Luiz Fernando Veríssimo)